Pesquisadores
de uma Universidade da Alemanha, descobriram
que adversidades vividas na infância, como
abuso físico, emocional ou negligência,
estão fortemente associadas à gravidade da
fibromialgia. O estudo mostrou que o efeito
desses traumas acontece por meio do estresse
percebido, ou seja, da forma como a pessoa
sente e lida com o estresse ao longo da
vida.
A pesquisa
envolveu 99 pessoas com fibromialgia e 50
indivíduos sem dor, que foram avaliados por
questionários psicológicos e exames
hormonais de cortisol. Os cientistas
concluíram que o estresse psicológico
subjetivo é o mediador entre as experiências
adversas na infância e os sintomas da
doença.
O estudo faz
parte do projeto PerPAIN, um consórcio de
pesquisa que investiga dores crônicas por
meio de análises multidimensionais. Os
participantes responderam questionários
referentes a abusos e negligências na
infância e para avaliar o estresse
percebido. Além disso, foram coletadas
amostras de saliva e cabelos para medir o
cortisol, hormônio que reflete o estresse
agudo e crônico.
Os dados foram
analisados com Modelagem de Equações
Estruturais, um método estatístico avançado
que avalia as relações entre variáveis. Os
resultados mostraram que as experiências
traumáticas não aumentam a fibromialgia
diretamente, mas indiretamente, ao elevar os
níveis de estresse percebido. Os dados
revelam que o componente psicológico é o
principal mediador, uma vez que o cortisol
salivar e capilar não teve papel
significativo nessa relação.
Os
pesquisadores concluem que compreender a
fibromialgia exige uma visão biopsicossocial,
que une corpo e mente, mostrando que o
tratamento deve ir além do controle da dor
física e incluir terapias psicológicas e
manejo do estresse, especialmente em pessoas
com histórico de traumas. Assim, mais do que
uma condição física, a fibromialgia se
revela como um reflexo da interação entre
experiências emocionais e mecanismos
corporais, ressaltando a importância de
olhar o paciente de forma integral.
Referência:
Beiner E, Hermes M, Reichert J, Kleinke K,
Vock S, Löffler A, Ader L, Sirazitdinov A,
Keil S, Schmidt T, Schick A, Löffler M, Hopp
M, Ruckes C, Hesser J, Reininghaus U, Flor
H, Eich W, Tesarz J. Early-life adversity as
a predictor of fibromyalgia syndrome: the
central role of perceived stress over
endocrine stress indicators. Pain. 2025 Jan
28;166(8):1871-1881. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003527.
PMID: 39868681.