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Alerta da edição mensal

 

 

Traumas de infância podem agravar a fibromialgia por meio do estresse

Carolina Andrade Gois

 

Pesquisadores de uma Universidade da Alemanha, descobriram que adversidades vividas na infância, como abuso físico, emocional ou negligência, estão fortemente associadas à gravidade da fibromialgia. O estudo mostrou que o efeito desses traumas acontece por meio do estresse percebido, ou seja, da forma como a pessoa sente e lida com o estresse ao longo da vida.

 

A pesquisa envolveu 99 pessoas com fibromialgia e 50 indivíduos sem dor, que foram avaliados por questionários psicológicos e exames hormonais de cortisol. Os cientistas concluíram que o estresse psicológico subjetivo é o mediador entre as experiências adversas na infância e os sintomas da doença.

 

O estudo faz parte do projeto PerPAIN, um consórcio de pesquisa que investiga dores crônicas por meio de análises multidimensionais. Os participantes responderam questionários referentes a abusos e negligências na infância e para avaliar o estresse percebido. Além disso, foram coletadas amostras de saliva e cabelos para medir o cortisol, hormônio que reflete o estresse agudo e crônico.

 

Os dados foram analisados com Modelagem de Equações Estruturais, um método estatístico avançado que avalia as relações entre variáveis. Os resultados mostraram que as experiências traumáticas não aumentam a fibromialgia diretamente, mas indiretamente, ao elevar os níveis de estresse percebido. Os dados revelam que o componente psicológico é o principal mediador, uma vez que o cortisol salivar e capilar não teve papel significativo nessa relação.

 

Os pesquisadores concluem que compreender a fibromialgia exige uma visão biopsicossocial, que une corpo e mente, mostrando que o tratamento deve ir além do controle da dor física e incluir terapias psicológicas e manejo do estresse, especialmente em pessoas com histórico de traumas. Assim, mais do que uma condição física, a fibromialgia se revela como um reflexo da interação entre experiências emocionais e mecanismos corporais, ressaltando a importância de olhar o paciente de forma integral.

 

Referência: Beiner E, Hermes M, Reichert J, Kleinke K, Vock S, Löffler A, Ader L, Sirazitdinov A, Keil S, Schmidt T, Schick A, Löffler M, Hopp M, Ruckes C, Hesser J, Reininghaus U, Flor H, Eich W, Tesarz J. Early-life adversity as a predictor of fibromyalgia syndrome: the central role of perceived stress over endocrine stress indicators. Pain. 2025 Jan 28;166(8):1871-1881. doi: 10.1097/j.pain.0000000000003527. PMID: 39868681.