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Alerta da edição mensal

 

 

Fibromialgia e genética - novas pistas para um diagnóstico mais preciso

Aline Frota Brito

 

A síndrome da fibromialgia (SFM) possui fisiopatologia desconhecida. Isso é um impasse para o diagnóstico, tratamento e prognóstico dos pacientes. Além da dor intensa generalizada pelo corpo, alterações no padrão de sono e depressão estão associados ao quadro de fibromialgia. Um estudo realizado entre 2014 e 2017 no Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Würzburg, na Alemanha evidenciou alterações genéticas em mulheres com fibromialgia, o que pode explicar a origem da patologia e ajudar no manejo clínico.

 

O sequenciamento genético de RNA de pequeno calibre (microRNAs) foi utilizado para diferenciar as mulheres com SFM (53) das saudáveis (34) e pacientes com depressão grave e dor física crônica (15). Isso foi possível através da coleta de exames laboratoriais e uma biópsia de pele em regiões da perna para avaliar a densidade de fibras nervosas intraepidérmicas. Com o resultado das biópsias, a amostra foi pontuada se a inervação estava normal, se apresentava redução distal, redução proximal ou redução generalizada. Uma outra parte das biópsias foi submetida a culturas de queratinócitos (células de queratina que protegem a pele e está associado a resposta imunológica). Os resultados dos exames foram comparados e evidenciou que o microRNAs e tRFs (fragmentos de RNA de transferência) do sangue e dos queratinócitos estão desregulados em mulheres com SFM: os queratinócitos são reduzidos devido a diminuição na transcrição reversa e tRFs é elevado em pacientes com SFM. Sugere então, que a fibromialgia deprime sistema imune e, conclui-se que esses sejam biomarcadores da patologia.

 

Os sintomas da depressão e da SFM podem se sobrepor, para isso a expressão de dois micros RNA, em específico, são pilares para diagnóstico, diferenciação e monitoramento dessas duas condições. Para melhor prosseguimento, o estudo sugere padronização de protocolos para avaliação desses biomarcadores. Trata-se de uma revelação promissora na ciência para a avaliação e desenvolvimento da dor, tendo em vista que a SFM impacta na funcionalidade e provoca alterações morfológicas no sistema nervoso central.

 

Referência: Erbacher C, Vaknine-Treidel S, Madrer N, et al. Altered blood and keratinocyte microRNA/transfer RNA fragment profiles related to fibromyalgia syndrome and its severity. Pain. 2024;166(7):1641-1652. Published 2024 Dec 6. doi:10.1097/j.pain.0000000000003499