A
administração periférica de capsaicina
reduziu a dor neuropática facial e reverteu
parte das alterações na comunicação entre
regiões cerebrais associadas à dor em ratos.
Estudo publicado em 2026 investigou como a
lesão crônica do nervo infraorbitário altera
o funcionamento cerebral e como o alívio da
dor pode modificar essas alterações. Para
isso, os pesquisadores compararam animais
com lesão nervosa, animais saudáveis e
grupos submetidos a diferentes estratégias
analgésicas. Os resultados mostraram que a
capsaicina reduziu as alterações cerebrais
provocadas pela dor crônica, aproximando
parte da atividade cerebral do padrão
observado nos animais sem lesão.
O estudo
experimental utilizou ratos com dor
neuropática provocada pela compressão
crônica de um nervo facial. Os animais
passaram por testes para avaliar sua
sensibilidade à dor e por exames de
ressonância magnética funcional, capazes de
identificar como diferentes áreas do cérebro
se comunicam. Após a aplicação de capsaicina
na região afetada, os pesquisadores
observaram uma redução dessas conexões
alteradas. Os resultados também foram
comparados aos obtidos com outra estratégia
capaz de reduzir a atividade de uma área
cerebral envolvida no processamento da dor.
Ambas as abordagens apresentaram mudanças
semelhantes em parte das redes cerebrais
afetadas pela dor crônica.
A capsaicina
periférica reduziu a dor neuropática e
reverteu parcialmente alterações cerebrais
associadas à dor crônica. Os achados
reforçam que o alívio da dor pode estar
relacionado não apenas ao local da lesão,
mas também à reorganização de circuitos
cerebrais. Como o estudo foi realizado em
animais, ainda são necessárias pesquisas em
humanos para confirmar se esses efeitos
podem contribuir para novas estratégias de
tratamento da dor neuropática.
Referência: Da
Silva JT, Keaser ML, Yang J, et al.
Peripheral capsaicin reverses nerve
injury-associated maladaptive brain networks
in male rats: a simultaneous
chemogenetic-functional magnetic resonance
imaging study. Pain. 2026;167(7):1718-1729.
doi:10.1097/j.pain.0000000000003984